domingo, 23 de novembro de 2008

Tea Time

domingo, 23 de novembro de 2008
Rosas brancas, toalhas de renda e um conjunto de porcelana reluzente. O mordomo chega para servir o chá da tarde com ar de melancolia, mas ainda assim consegue sua melhor expressão de felicidade. "Mestre, receio que este chá não seja de seu gosto" ele diz. O jovem rapaz de cabelos platinados encosta os lábios suavemente na borda da xícara e depois descansa-a no pires, sem dizer uma única palavra.

O silêncio permanece por infinitos instantes, reforçado pela fumaça dançante que sai da chaleira, a mesa de vidro parece ainda maior dado que apenas uma pessoa ocupa-a. Como sempre, o mordomo espera pacientemente ao lado de seu mestre até que este termine de sorver a última gota de chá de sua xícara.

Contudo, neste dia ele não termina. O recipiente ainda está cheio pela metade, o rapaz enxuga a boca com o guardanapo de pano e retira-se da mesa, andando para fora do jardim com passos descordenados. Pode-se ouvir o violino tocando dentro da mansão mais rítmico que nunca e com notas extremamente doces, tão doces a ponto de sufocar. Ele põe as mãos em volta do pescoço e cai sobre os joelhos. Não demora muito e o corpo todo está ao chão, os cabelos claríssimos manchados de terra e desarrumados.

"Receio que este chá não tenha sido agradável, mestre. Aceite as desculpas deste mordomo inexperiente, que confundiu açúcar com algum veneno. Espero que possa perdoar-me." Dito isto, o homem fechou os olhos de seu mestre e tirou-lhe as mãos do pescoço. "Acredito que seja mais confortável assim", disse. Em seguida, caminhou até a mesa e recolheu a louça, como fazia todos os dias. Não é como se algo fosse mudar, o tempo acomodava-o sempre que preciso.


É só mais um devaneio instantâneo...

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Now playing: Pretty Balanced - Bonjour M. Melancholy
via FoxyTunes

1 comentários:

Anônimo disse...

Oks, você É perturbada :Ç

 
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